Apresentação da Actividade:
Nesta segunda actividade procurámos analisar as características do processo de construção da identidade social dos adolescentes no contexto online.
Procedemos à leitura e sintese dos textos disponibilizados e, em seguida, discutimos o conteúdo dos textos trabalhados no fórum geral.
Huffaker, D.; Calvert, S. (2008). Gender, Identity and Language Use in Teenage Blogs. In Journal of Computater-Mediated Comunication, 10 (2), article 1.
Schmitt, K.; Dayanim, S.; & Matthias, S. (2008). Personal Homepage Construction as an Expression of Social Development. In Development Psychology, 44 (2), 496-506.
Reflexão
Para a realização desta actividade gostei especialmente de ler o artigo “ A Construção da identidade em adolescentes: um estudo exploratório”. É de salientar que este foi o único recurso disponibilizado em Português, nesta disciplina e, como é de calcular, ler em língua inglesa, ou noutra que não a nossa, traz consigo um acréscimo de trabalho e de exigência, por isso a leitura deste texto foi muito mais agradável. Mas, para além disso, gostei do artigo em si porque introduz uma série de conceitos relacionados com a construção da identidade na adolescência como: a teoria psicossocial de Erikson; os factores que influenciam a formação da identidade; os estados de identidade, que penso que são importantes para conhecermos e compreendermos melhor os jovens que educamos.
Os dois outros textos analisados pretendem demonstrar a relação entre a construção de páginas pessoais na Internet, sobretudo os blogues, e o desenvolvimento social dos jovens. A leitura destes estudos deu-me uma perspectiva diferente de como o computador influencia a identidade e o uso que o adolescente faz da internet. Também achei interessantes as conclusões destes estudos que nos revelam que os adolescentes usam as páginas pessoais para expressar a sua identidade como se estas fossem uns “diários modernos”. No fórum, a discussão voltou a centrar-se na utilização que os adolescentes fazem dos blogues; no papel da escola enquanto educadora para os media e nas actividades que se podem realizar utilizando os blogues; das oportunidades e perigos que a Internet esconde e que podem influenciar o processo de construção da identidade na adolescência.
Participação no fórum:
Molpeceres e Zacarés (1999) consideram “o grupo de pares constituído na adolescência como um laboratório social. As relações igualitárias e recíprocas permitem a exploração de diversos tipos de comportamentos, favorecendo o desenvolvimento do adolescente.” Penso que é precisamente isto que explica as preferências dos nossos jovens quando utilizam a internet. Ora, analisando os registos que apresentaste, retirados do relatório EGeneration: Os usos de media pelas crianças e jovens em Portugal, podemos questionar-nos:
O que procuram os adolescentes mais na internet?
Jogos, música e vídeos que, normalmente, são difundidos entre pares e que os aproximam dos que partilham com eles os seus gostos e valores, firmando uma relação igualitária.
Onde passam os adolescentes mais tempo ( Na internet)?
Passam muito tempo no Messenger, enviando emails e nas redes sociais ( há um aumento cada vez maior) , interagindo com os seus pares, aprendendo sobre si próprios através da expressão da sua identidade e dos feedbacks que recebem dos outros.
Realmente, depois de ler os textos recomendados, apercebi-me melhor de como o uso de blogs ou a construção de páginas podem ser importantes para ajudar os adolescentes a desenvolver certas competências. O que me parece é que os jovens portugueses ainda estão a dar os primeiros passos na utilização da net e estão muito deslumbrados com certas ferramentas. Quando descobrirem as potencialidades dos blogues talvez se rendam a eles. Mas também nos cabe a nós, educadores e professores, ensiná-los a explorar melhor os recursos do computador e da net, e orientá-los, abrindo-lhes novos horizontes. Talvez o melhor sitio para se desenvolver esse trabalho seja mesmo a Biblioteca
3.
Olá Nuno:
Esta nova tendência de explorar o conceito de "blogue" a que te referes foge um pouco ao que se tem dito sobre o blogue constituir uma espécie de "diário pessoal" do jovem. Aqui pretende-se que o blogue se assuma como um espaço comum de partilha de interesses. Mas o que me parece mais importante é que estes blogues são criados e mantidos pelos jovens e são alimentados por "uma paixão". Nas nossas bibliotecas escolares, temos tendência para criar blogues que são feitos pelos professores e que acabam por ser mantidos e visualizados também só pelos professores. Os alunos não chegam a apropriar-se do blogue. Talvez fosse interessante experimentar estimular um grupo de alunos, com interesse pela leitura, por exemplo, a serem eles a dar existência a um blogue, cativando para o seu grupo outros jovens que partilhassem o mesmo interesse pela leitura.
4.
Os dois estudos (1) analisados permitiram-me compreender melhor a importância dos blogues no desenvolvimento social dos adolescentes. O meu conhecimento sobre esta matéria era muito empírico e os meus considerandos tinham como base a observação das actividades dos meus filhos e dos meus alunos quando utilizam a internet. Mas o que é um facto é que mesmo só com base nessa observação já me tinha apercebido de como “a relação única com o computador influencia a identidade “ e de como “ a sensação de saber fazer pode ser desenvolvida através das interacções com o computador” Turkle (1984). Nesta linha lembrei-me logo do popular jogo “Sims”, que em minha casa tanto se joga, e que me parece muito interessante pois permite ao adolescente a experimentação com identidades virtuais e comunidades sociais em contexto de jogo.
Realmente, parece-me que nada será como dantes, e nós, emigrantes digitais, vamos mesmo ter de nos adaptar aos novos alunos do século xxi, procurando orientar e educar utilizando as ferramentas tecnológicas. Nesse sentido deviamos estar aqui a discutir estratégias de trabalho e actividades que possam ser desenvolvidas para utilizar os blogues com os alunos. E foi isso mesmo que acabaste de fazer!
Na minha escola, realizámos já workshops sobre blogues mas para professores e numa perspectiva de os ensinar a trabalhar com esta ferramenta. Mas nunca se fizeram sessões de trabalho com alunos criando, por exemplo, um blogue sobre leituras ou, como sugeres, lendo e analisando blogues elaborados por adolescentes para fazer uma sensibilização sobre segurança na internet. Penso que este tipo de sessão seria interessante para os alunos mais velhos e poderia ser realizado na biblioteca em cooperação com professores, por exemplo, de Formação Cívica ou mesmo de Filosofia, no secundário.
Vendo os dados do relatório neste prisma até se compreende que para o adolescente seja tão apelativa a utilização das redes sociais, do Messenger, a partilha de vídeos, de músicas, os jogos interactivos…, no fundo ele está a mover-se num meio virtual que é partilhado entre pares e que permite a construção de uma nova realidade independente dos pais e de outros adultos significativos e que o vai ajudar a desenvolver-se.
2.
Olá Ana:Realmente, depois de ler os textos recomendados, apercebi-me melhor de como o uso de blogs ou a construção de páginas podem ser importantes para ajudar os adolescentes a desenvolver certas competências. O que me parece é que os jovens portugueses ainda estão a dar os primeiros passos na utilização da net e estão muito deslumbrados com certas ferramentas. Quando descobrirem as potencialidades dos blogues talvez se rendam a eles. Mas também nos cabe a nós, educadores e professores, ensiná-los a explorar melhor os recursos do computador e da net, e orientá-los, abrindo-lhes novos horizontes. Talvez o melhor sitio para se desenvolver esse trabalho seja mesmo a Biblioteca
3.
Olá Nuno:
Esta nova tendência de explorar o conceito de "blogue" a que te referes foge um pouco ao que se tem dito sobre o blogue constituir uma espécie de "diário pessoal" do jovem. Aqui pretende-se que o blogue se assuma como um espaço comum de partilha de interesses. Mas o que me parece mais importante é que estes blogues são criados e mantidos pelos jovens e são alimentados por "uma paixão". Nas nossas bibliotecas escolares, temos tendência para criar blogues que são feitos pelos professores e que acabam por ser mantidos e visualizados também só pelos professores. Os alunos não chegam a apropriar-se do blogue. Talvez fosse interessante experimentar estimular um grupo de alunos, com interesse pela leitura, por exemplo, a serem eles a dar existência a um blogue, cativando para o seu grupo outros jovens que partilhassem o mesmo interesse pela leitura.
4.
Os dois estudos (1) analisados permitiram-me compreender melhor a importância dos blogues no desenvolvimento social dos adolescentes. O meu conhecimento sobre esta matéria era muito empírico e os meus considerandos tinham como base a observação das actividades dos meus filhos e dos meus alunos quando utilizam a internet. Mas o que é um facto é que mesmo só com base nessa observação já me tinha apercebido de como “a relação única com o computador influencia a identidade “ e de como “ a sensação de saber fazer pode ser desenvolvida através das interacções com o computador” Turkle (1984). Nesta linha lembrei-me logo do popular jogo “Sims”, que em minha casa tanto se joga, e que me parece muito interessante pois permite ao adolescente a experimentação com identidades virtuais e comunidades sociais em contexto de jogo.
Mas, relativamente aos blogues, não tinha a noção de que eram tão populares entre os jovens nem que podiam ser tão interessantes para se perceber o processo de construção da identidade na adolescência. Assim, percebi que os blogues são utilizados pelos adolescentes quase como se fossem diários pessoais onde podem não só expressar a sua identidade mas que permitem os comentários e o feedback de outros. Foi interessante também constatar que os adolescentes que mantém blogues ficam mais predispostos para ter amigos online e para experimentarem com eles a exploração da identidade. A linguagem também desempenha um papel importante nos blogues dos adolescentes uma vez que é usada para expressar ideias, sentimentos, experiências mas utilizando uma linguagem adaptada, que ajuda a construir e a reflectir a identidade adolescente. Outro aspecto surpreendente foi o facto do estudo demonstrar que, nesta geração de jovens utilizadores de internet, não se notam grandes diferenças entre blogues de rapazes e blogues de raparigas, ao contrário do que se poderia supor, como se esta geração se apresentasse mais andrógina na forma como se apresenta, percepciona e interage na internet.
Em todo o caso, os participantes nestes estudos não foram adolescentes portugueses e não sei até que ponto a criação/manutenção de blogues entre os nossos jovens é muito ou pouco expressiva. Constato, no entanto, que as redes sociais são um grande sucesso e parece-me que, tal como o blogue, estas também são espaços muito importantes na construção da identidade do adolescente.
(1) Huffaker, D.; Calvert, S. (2008). Gender, Identity and Language Use in Teenage Blogs. In Journal of Computater-Mediated Comunication, 10 (2), article 1.
Schmitt, K.; Dayanim, S.; & Matthias, S. (2008). Personal Homepage Construction as an Expression of Social Development. In Development Psychology, 44 (2), 496-506.
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Olá Milena:
Olá Milena:
Realmente, parece-me que nada será como dantes, e nós, emigrantes digitais, vamos mesmo ter de nos adaptar aos novos alunos do século xxi, procurando orientar e educar utilizando as ferramentas tecnológicas. Nesse sentido deviamos estar aqui a discutir estratégias de trabalho e actividades que possam ser desenvolvidas para utilizar os blogues com os alunos. E foi isso mesmo que acabaste de fazer!
Na minha escola, realizámos já workshops sobre blogues mas para professores e numa perspectiva de os ensinar a trabalhar com esta ferramenta. Mas nunca se fizeram sessões de trabalho com alunos criando, por exemplo, um blogue sobre leituras ou, como sugeres, lendo e analisando blogues elaborados por adolescentes para fazer uma sensibilização sobre segurança na internet. Penso que este tipo de sessão seria interessante para os alunos mais velhos e poderia ser realizado na biblioteca em cooperação com professores, por exemplo, de Formação Cívica ou mesmo de Filosofia, no secundário.


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