Aqui procurarei reflectir sobre a utilização dos media digitais e as novas formas de interacção que estes proporcionam às crianças e jovens, tendo em vista compreender a sua possível influência no desenvolvimento pessoal e nos processos de construção da identidade dos adolescentes.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Media Digitais e construção da Identidade Social


Apresentação da Actividade:

Nesta 3ª actividade pretendia-se que reconhecessemos a influencia dos media digitais na construção da identidade social dos jovens. Devíamos ler e elaborar uma síntese de um dos  seis textos propostos, em trabalho de pares, para apresentar posteriormente em fórum.

Reflexão

Mais uma vez, para a realização  deste trabalho tive como parceira a colega Isabel Trabucho. Começámos por escolher o texto que pretendiamos analisar e a opção recaiu em " Whispers in the classroom" de Sarita Yardi que concordámos traduzir para "Sussurros na sala de aula". Confesso que este texto se revelou uma interessante surpresa porque nos relata uma experiência nova para o contexto educativo português mas com grande potencial educativo. Parte do pressuposto que as salas de chat online são um novo meio de comunicação que pode ser rentabilizado para melhorar as aprendizagens em sala de aula. O artigo parte da apresentação de um caso concreto e vai depois explorando/apresentando as potencialidades e os constrangimentos da utilização deste recurso. No fundo, este artigo permitiu-me perceber de que forma se podem utilizar os novos media para inovar as práticas pedagógicas mas parece-me que a síntese que fizemos do texto( e que obedecia ao que nos era pedido) e a posterior discussão no forum fugiu ao objectivo geral desta actividade que era o de perceber como os media influenciam a construção da identidade social dos jovens.

Participação no fórum:

1.
Olá Raquel:

Quando trabalhámos este texto também considerámos ser difícil aplicar esta ideia de "canal periférico" nas nossas turmas do ensino básico, pelo menos a curto prazo. No entanto, parece ser uma experiência bastante interessante e inovadora, na linha do "se não os consegues vencer, junta-te a eles". Realmente, o professor terá obrigatoriamente de evoluir e de se adaptar aos novos tempos e isso passa necessariamente pela utilização da tecnologia na sala de aula e pelo fomento do trabalho colaborativo e das interacções entre os alunos. No fundo, esta plataforma online, onde também nós fazemos as nossas aprendizagens e interagimos, é um exemplo disso.

2.
Ana e Helena:
Encarar as redes sociais online como “espaços de afirmação social” é, de certa forma, uma ironia da sociedade contemporânea. Os homens sentiram necessidade de criar espaços sociais virtuais porque não se conseguem entender. Repare-se nos jovens: “não sendo popular na escola, coloca no Xanga[1] as suas fotografias e relata as suas viagens, pensando que os colegas da escola ao lerem o seu blogue, se tiverem os mesmos interesses, poderão vir a ser seus amigos.” ; “jovens já consideravam fundamental a participação nestes sítios para se afirmarem na escola.”
Para que serve então esta rede social? Para ajudar estes jovens a integrar-se num meio em que passam despercebidos. No fundo, é um espaço de ilusão, onde tudo é permitido porque é passível de ser manipulado.
Também me pareceu interessante o facto de o aumento de participação nestas redes sociais se dever ao facto dos pais protegerem em demasia os seus filhos e estes não terem, assim, oportunidade de socializarem em espaços públicos com outros jovens. Esta questão deveria também ser objecto de reflexão pelos pais e educadores que tanto contestam as redes sociais. Afinal, de certa forma, foram eles que impulsionaram o sucesso destas tecnologias.
Um aspecto preocupante, e que tem a ver com esta questão da falsa socialização, é o número de amigos que cada um apresenta aos outros. O que se nota é que os jovens sentem que a sua popularidade se mede pelo número de amigos que apresentam, por vezes tão excessivo que se torna ridículo, e não pela riqueza das relações. No fundo , encontramos nestas redes sociais os mesmos princípios superficiais que abundam em certas comunidades sociais ditas “cor-de-rosa”.

3.
Olá a todos!
Este texto surge na mesma linha do debate que tivemos no fórum da actividade anterior e, de certa forma, complementa-o. Discutimos bastante sobre a importância do blogue como uma espécie de diário que permite a auto-reflexão e o crescimento pessoal. Este texto apresenta um estudo onde se revela que há um notório aumento de produção de conteúdos juvenis online e procura responder a algumas questões relacionadas com este novo processo de criação.
Neste texto refere-se que os adultos têm muitas dúvidas relativamente a estas criações e aos blogues mas que dão pouca importância aos motivos que levam os jovens a expressar-se deste modo na Internet. Ora, realmente, parece-me que antes de criticarmos o uso que os jovens fazem da Internet devíamos reflectir sobre o que os leva a isso. Segundo este estudo, para “os jovens a página na Net é uma prova da sua existência num mundo que de outro modo lhes presta pouca atenção” e “ A Internet é o único meio que lhes dá a oportunidade de ter a sua voz”. E repare-se que, num mundo tão complexo, onde as pessoas se sentem cada vez mais sozinhas porque não têm quem as escute, os próprios jovens já sentem que estão a precisar de fazer terapia e “utilizam a palavra terapêutico para descrever como é poder exprimir-se ‘online’ depois de experienciar dor, raiva, ‘stress’, traições.”



Uma outra ideia expressa neste texto e que me chamou a atenção foi o conceito de “privado” :
“Para estes jovens, ‘privado’ é quando as pessoas que eles conhecem na vida real não o podem ver (ter acesso), ouvir ou ler, independentemente de quem seja.” Interpreto “as pessoas que eles conhecem na vida real” como sendo os pais, familiares, professores, ou seja, os adultos que os rodeiam. Parece haver uma certa inibição perante os adultos porque não se inserem no seu universo e não o compreendem.



4.
Olá Nuno e Julieta:

Da leitura atenta da vossa síntese retive como aspecto fulcral o seguinte:
Os Meios de Comunicação Digital são ferramentas tecnológicas muito eficazes em experiências de aprendizagem, para estruturar o trabalho colaborativo e para desenvolver a expressividade e a criatividade. Ao desenvolverem aptidões que potenciam papéis de liderança social, e que preparam para as actividades de planificação e argumentação, ajudam os jovens a inserirem-se e a destacarem-se numa sociedade “dominada” pelos adultos.
Pareceu-me bastante interessante o primeiro caso apresentado porque incidiu numa comunidade de jovens desfavorecidos, que luta pelo reconhecimento social. Os resultados obtidos com este projecto devem ter sido significativos na vida destes jovens que sentiram este sucesso como uma oportunidade. Provavelmente, este tipo de projectos poderia ser desenvolvido nas nossas comunidades, que evidenciam graves problemas sociais e de integração, para ajudar os jovens a melhorar os seus níveis de participação cívica e democrática.

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