Aqui procurarei reflectir sobre a utilização dos media digitais e as novas formas de interacção que estes proporcionam às crianças e jovens, tendo em vista compreender a sua possível influência no desenvolvimento pessoal e nos processos de construção da identidade dos adolescentes.

domingo, 31 de janeiro de 2010

REFLEXÃO CRÍTICA FINAL

Confesso que quando me inscrevi nesta disciplina não sabia bem o que me esperava mas pensei que “ os media digitais e a socialização” era de facto uma área interessante e que eu precisava de explorar melhor, daí a minha escolha por esta opção.
Fiquei um pouco admirada por haver tão poucos alunos inscritos nesta unidade curricular que, na minha opinião, explora uma temática tão importante para o trabalho dos professores bibliotecários que são confrontados com novos desafios e exigências resultantes da crescente importância das tecnologias de informação.

 A este propósito deixo aqui um excerto de um texto sobre Biblioteca 2.0,escrito por Carlos Pinheiro, que pode ser lido na íntegra na Newsletter nº 5 da RBE, acedendo directamente por aqui. Neste texto faz-se uma reflexão sobre o novo papel das Bibliotecas escolares e a Web 2.0, referindo-se às suas características e a algumas ferramentas que utiliza.
Em contraposição, os jovens que frequentam hoje o sistema de ensino mudaram profundamente na sua composição social, interesses, solicitações e estilos de vida (Cardoso et al. 2005). A multiplicação dos dispositivos de acesso à internet e o desenvolvimento da Web social determinaram um incremento significativo dos fluxos de informação, criando a ilusão de que o conhecimento está ao alcance de todos e à distância de um clique no rato, mas onde os espaços e tempos para a reflexão e a abstracção são cada vez mais escassos.
As escolas e os professores são assim confrontados com enormes desafios, quer do ponto de vista metodológico em relação àquilo que lhes era tradicionalmente exigido, quer do ponto de vista epistemológico, pois o velho paradigma da escola como local de transmissão do conhecimento não corresponde nem às necessidades da sociedade nem às expectativas dos jovens.”

Mas retomando a minha reflexão... é um facto que os jovens de hoje mudaram por isso é necessário que o professor conheça as marcas identitárias dos adolescentes com que lida e perceba de que modo as novas tecnologias digitais, sobretudo a Internet, os blogues, os sites sociais, influenciam o  desenvolvimento pessoal  e o processo de construção da identidade dos jovens e as suas interacções. Uma vez que os professores pertencem a uma geração diferente, que se assume perante os media digitais como se fosse um emigrante, que não domina totalmente aquela "cultura" e que tem de passar por um processo de "aculturação", nem sempre fácil ao professor compreender e aceitar o jovem que tem à sua frente. Daí que seja tão importante o estudo e a análise destes processos. Penso que os professores deviam mesmo receber alguma formação nesta área.

Quanto à metodologia que foi utilizada nesta unidade curricular, penso que a interacção entre os estudantes, utilizando o trabalho de pares e de grupo,  é  o método mais eficaz e o que permite uma dinâmica mais enriquecedora e motivadora. Foram precisamente as "discussões" e as partilhas que ocorreram durante a realização dos trabalhos as que me despertaram mais interesse e levaram a uma aprendizagem mais relevante. Mas considero que a partilha não foi tão enriquecedora quando passámos para a discussão no fórum, em grupo turma, devido ao reduzido número de alunos inscritos na unidade. No entanto,  foi interessante perceber que é precisamente esta interacção grupal que aqui experenciámos,  o que (também) mais agrada aos jovens nativos digitais. No fundo, a nossa própria experiência de trabalho online já por si foi significativa para nos aproximar dos nossos alunos nativos digitais e deve servir para, futuramente, nos servirmos destas ferramentas digitais para tentarmos melhorar as aprendizagens dos alunos.

Reconheço que esta temática da utilização dos media digitais pelas crianças e jovens está ainda muito pouco explorada em Portugal e isso foi também notório pelo facto de quase não termos acesso a bibliografia em Língua Portuguesa. Os textos em Inglês traduzem-se numa dificuldade acrescida e exigem uma maior concentração e capacidade de trabalho para que haja uma correcta assimilação de conceitos. No entanto, alguns dos textos apresentados eram bastante interessantes e o entusiasmo com que os estudei compensou o facto de não serem escritos em português. Gostei bastante de ler os textos de Marc Prensky e também o de Sarita Yardi.

Relativamente à elaboração deste e-portfólio, considero que efectivamente é um trabalho muito mais interessante porque possibilita o diálogo e a reciprocidade que um portfólio em papel não permite,  e deu-me algum prazer criá-lo. Mas parece-me que a sua construção devia ser pedida logo na primeira actividade e no final de cada actividade os alunos deveriam ser orientados no sentido de aqui colocarem de imediato a sua reflexão e de comentarem as mensagens que vão sendo colocadas em cada um dos blogues. Se a construção do e-portfólio fosse uma tarefa pedida/exigida no final de cada actividade julgo que a interacção seria maior. Assim como é pedido como Trabalho final, os alunos, “à boa maneira portuguesa” vão deixando para o final a sua elaboração.

Para terminar, julgo que alcancei os objectivos propostos para esta unidade curricular pois identifiquei e analisei a forma como os jovens e adolescentes utilizam os media digitais e como interagem a partir deles, tendo também discutido com os meus colegas sobre o modo como os media digitais interferem nos processos de socialização dos jovens.

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